Fermentação eleva proteína da farinha de babaçu de 1,5% para 7%, criando ingrediente plant‑based

Tecnologia de fermentação desenvolvida pela BIOINFOOD triplicou o teor proteico da farinha de mesocarpo do babaçu, de 1,5% para 7%, gerando um ingrediente fibroso e saboroso pronto para hambúrgueres e outros produtos plant‑based. O projeto, financiado com R$ 2,7 milhões do Fundo JBS pela Amazônia, contou com a colaboração do ITAL e da Rede Terra do Meio do Alto Xingu, envolvendo comunidades do Pará. Resultados foram apresentados em abril de 2026 no New Meat Brazil.
Uma tecnologia de fermentação desenvolvida pela BIOINFOOD, deep tech paulista de biotecnologia industrial, aumentou em mais de quatro vezes o teor proteico da farinha de mesocarpo do babaçu, subproduto tradicionalmente descartado na cadeia de produção do óleo de babaçu. O teor proteico passou de 1,5 % para cerca de 7 %, gerando um ingrediente com textura fibrosa e sabor equilibrado, pronto para uso em hambúrgueres e outros produtos plant‑based.
O projeto, financiado com R$ 2,7 milhões do Fundo JBS pela Amazônia, contou com a colaboração do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) e da Rede Terra do Meio do Alto Xingu, que reúne 35 organizações de povos indígenas, ribeirinhos e agricultores familiares no Pará. A rede forneceu amostras de farinha e recebeu a equipe de pesquisa em visitas às comunidades, reforçando a participação local no desenvolvimento da tecnologia.
A fermentação combina a seleção de cepas de levedura, hidrólise enzimática e fermentação em biorreatores automatizados. As leveduras convertem os açúcares presentes na farinha em biomassa proteica, sem a necessidade de novos cultivos ou desmatamento, garantindo a sustentabilidade do processo.
Os resultados foram apresentados em abril de 2026 no evento New Meat Brazil, em São Paulo, o principal encontro nacional de proteínas alternativas. Durante a cerimônia de encerramento do InovAmazônia, a BIOINFOOD degustou um protótipo de hambúrguer plant‑based à base de proteína de babaçu, simbolizando a viabilidade do ingrediente.
"O InovAmazônia demonstrou que a biodiversidade brasileira não precisa ficar só no discurso – ela pode estar no prato", afirmou Lucas de Oliveira Scarascia, Gerente Executivo de Projetos do Fundo JBS pela Amazônia. "O projeto da BIOINFOOD com o babaçu é um exemplo concreto disso – ciência aplicada, ingrediente nacional e impacto real para quem vive da floresta. É esse tipo de resultado que justifica o investimento."
O impacto socioeconômico também foi destacado pelo co‑fundador da BIOINFOOD, Osmar Netto, PhD. "Ao gerar um ingrediente proteico alternativo, nosso projeto contribui diretamente para a redução da dependência de proteínas de maior impacto ambiental e possibilita a diversificação das fontes de proteína vegetal, alinhada às estratégias de sustentabilidade e segurança alimentar. A tecnologia também estimula o modelo de uso sustentável de espécies nativas, sem necessidade de desmatamento ou cultivo intensivo, e aumenta a renda das comunidades extrativistas."
O mercado global de proteínas alternativas deve atingir US$ 88,8 bilhões até 2034, crescendo a 14,3 % ao ano. No Brasil, o setor movimentou R$ 1,13 bilhão em 2024, com crescimento de 14 % em relação ao ano anterior. A demanda internacional por ingredientes sustentáveis e rastreáveis abre oportunidades para a internacionalização da tecnologia da BIOINFOOD.
Além do babaçu, a plataforma de fermentação pode ser aplicada a outros coprodutos agroindustriais, como farelo de trigo, milho e arroz, bem como cascas de oleaginosas nativas – castanha‑do‑Brasil, macaúba e cupuaçu – ampliando significativamente o potencial de aplicação da empresa.
"Quando uma deep tech como a BIOINFOOD traz um desafio real de mercado para dentro do laboratório, a ciência deixa de ser acadêmica e passa a ser instrumento de transformação econômica", concluiu Roseli Ferrari, Pesquisadora Científica Nível VI e Diretora Técnica de Divisão, CCQA/ITAL. "O babaçu é um exemplo concreto de como a parceria entre instituição pública de pesquisa e empresa inovadora pode encurtar o caminho entre o coproduto e o ingrediente industrial, com rigor científico e viabilidade real de escala."
A BIOINFOOD agora busca parceiros comerciais para a fase de escala piloto, com interesse especial em indústrias de ingredientes funcionais e empresas plant‑based que queiram diversificar o portfólio com matéria‑prima nacional e rastreável. O projeto representa um avanço significativo na valorização de resíduos agroindustriais e na criação de novas fontes de renda para as comunidades amazônicas.
Este artigo foi analisado, higienizado e reescrito de forma autônoma pela Inteligência Artificial Editorial do Giro Mix News para garantir a originalidade e a clareza para nossos leitores.
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