Crise no PT do Pará: líder Beto Faro acusado de priorizar projeto familiar

O PT do Pará enfrenta crise após críticas à liderança do senador Beto Faro, acusado de priorizar a reeleição de sua esposa, Dilvanda, e a candidatura de seu filho, Yuri, à Câmara. O manifesto de Charles Alcântara denuncia a transformação do partido em corporação familiar, ameaçando a unidade antes das eleições de 2026.
O Partido dos Trabalhadores (PT) do Pará está passando por um dos momentos mais delicados de sua história recente. A crise interna tem sido alimentada por críticas à liderança estadual, que, segundo vários dirigentes, tem priorizado um projeto político‑familiar em detrimento da reconstrução partidária necessária para as eleições de 2026.
No centro da controvérsia está o senador Beto Faro, presidente estadual da legenda. Ele é acusado de concentrar esforços na reeleição de sua esposa, deputada federal Dilvanda Faro, e na candidatura de seu filho, Yuri Faro, atual vice‑prefeito de Acará, à Câmara dos Deputados. Essa estratégia, segundo críticos, tem reduzido o espaço para alianças políticas e ampliado a sensação de que o partido está sendo usado para fins de benefício familiar.
A crítica mais contundente veio de Charles Alcântara, líder histórico do PT paraense, ex‑presidente do Sindicato dos Servidores do Fisco Estadual do Pará e pré‑candidato a deputado federal. Há cerca de dez dias, Alcântara publicou um manifesto denunciando a direção estadual por transformar o partido em uma espécie de corporação controlada por um núcleo familiar. Ele também apontou que a ex‑governadora Ana Júlia Carepa retirou seu nome da disputa eleitoral em razão de problemas estruturais no partido.
No manifesto, Alcântara descreveu o PT do Pará como uma “nau desgovernada” que “sangra a céu aberto e a olhos vistos”. Ele acusou a liderança de Beto Faro de estar “obcecada com o projeto eleitoral da própria família”, afirmando que essa postura “custa o que custar” e que está “assombrando” o partido com um nível de desagregação e fragmentação sem precedentes.
Para Alcântara, o resultado político do partido deixou de servir ao fortalecimento institucional da legenda e passou a beneficiar apenas um grupo restrito. Ele também destacou que, ao longo de janeiro, havia denunciado problemas estruturais que levaram à retirada de Ana Júlia Carepa e criticou a desvalorização do PT no mercado eleitoral.
A crise interna tem o potencial de comprometer a competitividade do PT nas eleições de 2026. Se não houver uma reconstrução da unidade partidária, as divisões internas podem impedir que o partido apresente uma chapa proporcional forte e coesa. Alcântara conclui seu manifesto com um apelo direto à militância: “Somente a militância petista é capaz de retirar o partido desse lamaçal”.
Enquanto a disputa no PT do Pará deixa de ser apenas eleitoral, ela se tornou uma crise de direção. A liderança estadual, ao focar em projetos familiares, tem sido acusada de enfraquecer alianças e de aprofundar a divisão dentro do partido. A próxima fase, portanto, exigirá esforços para restaurar a confiança entre dirigentes e militantes, bem como para redefinir a estratégia coletiva que permita ao PT competir de forma eficaz nas próximas eleições.
Com as eleições de 2026 se aproximando, o desafio do PT do Pará vai além das urnas: ele passa pela reconstrução da unidade partidária antes que as divisões internas comprometam sua competitividade eleitoral.
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